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Foto: Reprodução/ TV Globo

Como ‘BBB21’ confirmou teorias já comprovadas em 20 anos: do vilão surpresa à favorita excluída

Em cada edição, o “Big Brother Brasil” traz novos personagens e muitos recordes. Mas o BBB21 também confirmou algumas teorias apresentadas em trabalhos acadêmicos nos últimos anos.

Como em outras edições, o reality que acaba nesta terça (4) teve:

– Vilões super rejeitados porque “fugiram” do que se esperava deles;
– Estrategista que escapou de paredões, mas saiu na 1ª berlinda;
– Um casal que mais atrapalhou do que ajudou os envolvidos;
– A força da participante considerada excluída pela casa.

Considerada favorita, Juliette também tem um perfil estudado nas dissertações lidas pelo G1. Todos os ganhadores e ganhadoras têm pelo menos uma coisa em comum: podem ser chamados de “autênticos” e foram “excluídos”.

Mas por que ‘excluídos’ sempre vencem?

Uma dissertação de mestrado de 2005 chamada “Big Brother Brasil: fabricação do cotidiano” analisa essa questão. Renato Menezes, pesquisador do interior de São Paulo, mostrou que o público é solidário com os “excluídos e injustiçados”.

Ele explica que “não temos simpatia em ver um participante rico ganhando”. Também há menos chance de alguém popular no game e amigo de todos da casa vencer.

O trabalho acadêmico lembra das duas vezes em que o BBB teve participantes escolhidos por meio de sorteios. Nessas edições, foram sorteadas que ganharam:

Cida Santos, babá carioca, foi a campeã do BBB 4 por ser uma pessoa simples e simpática com todos no programa;
Mara Viana, auxiliar de enfermagem baiana, ganhou em 2006 e era uma espécie de “mãezona” na casa.

A partir daí, o BBB parou de ter gente selecionada por sorteio.

Favoritas em 2020, as famosas Manu Gavassi e Rafa Kalimann chegaram ao top 3, mas acabaram perdendo para a médica Thelma Assis. Pelo mesmo motivo (e por outros), Juliette é favorita contra os famosos Fiuk e Camilla de Lucas.

Só uma vez um participante considerado famoso ganhou o BBB. O lutador Marcelo Dourado levou o prêmio em 2010, com uma trajetória polêmica e carismática. O concorrente do BBB4 era um dos ex-BBBs que estavam naquela edição.

Como surgem os vilões do BBB?

No texto “Personagens emolduradas: os discursos de gênero e sexualidade no Big Brother Brasil 10”, a então mestranda Katianne de Souza explicou bem os temas do título, mas também resumiu como vilões surgem na casa.

Para ela, toda vez que um participante do BBB foge do que se espera dele, foge do que ela chama de “moldura”, acaba punido.

Quando a performance não tem mais a ver com o estereótipo pelo qual você é conhecido, há uma punição. No Big Brother, ser punido é ser eliminado antes daqueles que são mais leais aos seus papéis.

É simples aplicar a ideia da “fuga da moldura” no BBB21. Você não espera que uma rapper conhecida por versar sobre temas progressistas seja considerada preconceituosa ou intolerante.

Não se espera que um humorista seja tenso e pouco piadista ou que não traga leveza para casa. Esperava-se graça de Nego Di, mas ele entregou manipulação, rancor e falta de lealdade com Lucas.

Relembre as rejeições deste ano:

– Karol Conká, enfrentando Arthur e Gilberto – 99,17% dos votos
– Nego Di, enfrentando Fiuk e Sarah – 98,76% dos votos
– Viih Tube, enfrentando Fiuk e Gilberto – 96,69%

Formar casal ajuda no BBB?

Das 20 pessoas que ganharam o BBB, oito delas formaram um casal mais duradouro no reality show. Um dos mais marcantes do BBB deu o primeiro beijo gay do reality show. Clara e Vanessa, o casal Clanessa, participaram do BBB14.

O pesquisador Arthur Guedes defendeu no mestrado a dissertação “A GLOBO SHIPPA MUITO CLANESSA: A configuração do fandom Clanessa na dinâmica transmídia do BBB14”.

No texto, ele explica como formar um casal foi importante para a vitória de Vanessa naquela edição. Clara ficou em terceiro e a Vanessa venceu. Boa parte dessa conquista vem do fato de que elas formavam um casal considerado fofo e autêntico.

Carla Diaz e Arthur demonstraram falta de sintonia. As incertezas e indecisões de Arthur são um contraponto ao comprometimento de Carla.

A relação não era apreciada pelos espectadores e comprovou a ideia: se o casal é meio artificial, isso só atrapalha. Arthur só ganhou força no reality após a eliminação de Carla.

Por que estrategistas se dão mal?

Mesmo o BBB sendo um jogo, não basta jogá-lo bem para vencer. A performance de Projota e de Viih Tube no BBB21 foi uma prova disso. Viih Tube conseguiu evitar ir ao paredão por muito tempo, mas saiu logo na primeira vez.

A história do BBB mostra que quem é considerado estrategista não vai longe. Uma rara exceção é Jean Massumi, do BBB3.

Era comum ver o massoterapeuta lendo o livro “A arte da Guerra”, do filósofo e general chinês Sun Tzu. Nunca um participante estrategista do BBB foi tão longe no jogo: ele ficou no quarto lugar.

Estrategistas acabam sendo vistos como uma pessoa sem coração. Então, a solução é repetir que não vai “combinar votos” ou vai “votar só por afinidade”? Não é bem assim. Hoje, esses discursos são considerados vazios.

Max Porto, vencedor do BBB9, analisava muito bem o jogo e pode ser considerado um estrategista. Mas esse não era o principal traço do perfil dele: ele também formou casal, foi injustiçado, não se omitia e era “bom de VT”.

Texto: Braulio Lorentz/ G1

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